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    Maternidade


    Amor e mãe: pelo direito de não se anular

    Mães não podem se sentir culpadas pela exposição do desgaste físico e emocional. Porque são falíveis, humanas, finitas.

     O amor para ser legítimo, não precisa ser sacrifical e, nossos filhos precisam ter essa compreensão para que não se tornem adultos mimados.
    O amor para ser legítimo, não precisa ser sacrifical e, nossos filhos precisam ter essa compreensão para que não se tornem adultos mimados. | Foto: Arquivo Pessoal

    Ou nós mulheres defendemos que as mães estão sobrecarregadas nesse momento e têm todo direito de quererem expressar que gostariam de estar longe dos filhos (e do companheiro também, quem não?) em algum momento dessa quarentena, ou bem continuamos alimentando o mito de que amor incondicional que nós, mães, temos por nossos filhos significa a nossa anulação como pessoa.

    Sim, se as mulheres são obrigadas a ter uma jornada dupla ou tripla, isso só está se densificando em tempos de quarentena, adensou nesta pandemia. Eu me exauri física e psicologicamente, me senti incapaz, deprimida, vulnerável.

    Nem quando amamentei meus três filhos, estudando e trabalhando ao mesmo tempo, não me senti tão cansada, ou talvez não lembre mais da exaustão. O fato é que cansei, cansamos todas. E me culpo se faltei em algum momento, se não fui a mãe que eu gostaria de ter sido. Às vezes acho que mãe e culpa se costuram assim que o rebento nasce.

    Desgaste

    O que mais tenho visto são mães sendo culpabilizadas porque expõem seu desgaste nesse momento. Porque não, ninguém acha normal expor, porque nossa sociedade machista nos têm como inadequadas, loucas e transtornadas quando estamos sobrecarregadas. E como se o desgaste fosse uma forma de dizer que não amam seus filhos.

    Amamos demasiada e hiperbolicamente nossos filhos. E, claro que deve ter um monte de mãe que terceirizava os filhos para babás como modo de vida. Mas, falando por mim, eu seria bem hipócrita se dissesse que meu sonho era ter minha filha em casa durante 24 horas por dia aos 13, 3, 4 anos de idade, vivendo os encargos da maternidade diuturnamente, sem trégua, e ainda tendo que dar conta da casa, do home office e também da minha sanidade como indivíduo. 

    Para nós mulheres nesse momento só existe uma saída: A união. A compreensão de que não queremos e nem disputamos nenhum título de mãe guerreira ou de super-mãe. Que somos falíveis, humanas, finitas. O amor para ser legítimo, não precisa ser sacrifical e, nossos filhos precisam ter essa compreensão para que não se tornem adultos mimados. 

    Sejamos mais gentis entre nós e com nós mesmas. Sejamos a mãe que pudermos ser. Sem culpa, ou melhor, sem muita culpa.

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